Disputa presidencial na Colombia ocorre em meio ao avanço de grupos armados, debate sobre segurança pública e críticas ao governo de Gustavo Petro.

Os colombianos foram às urnas neste domingo (31) em uma das eleições presidenciais mais polarizadas dos últimos anos. O país escolhe o sucessor do presidente Gustavo Petro em meio ao avanço da violência, ao fortalecimento de grupos armados e a um debate cada vez mais intenso sobre o futuro da política de segurança nacional.
Mais de 40 milhões de eleitores estão aptos a votar em uma disputa que se transformou em um teste sobre o legado político de Petro, primeiro presidente de esquerda da história recente colombiana. A votação ocorre em um cenário marcado por críticas à estratégia de “Paz Total”, programa do atual governo que apostou em negociações simultâneas com guerrilhas, dissidências armadas e organizações criminosas.
O principal nome da esquerda é Iván Cepeda, aliado político de Petro e defensor da continuidade das reformas sociais implementadas pelo atual governo. Sua campanha tem como foco o combate à desigualdade, a ampliação de programas sociais e a manutenção das negociações com grupos armados como forma de reduzir os conflitos que ainda atingem diversas regiões do país.
Do outro lado da disputa aparece Abelardo de la Espriella, advogado e empresário que ganhou força durante a campanha com um discurso centrado no endurecimento do combate ao crime organizado. Inspirado por políticas de segurança adotadas em outros países da América Latina, ele defende uma atuação mais agressiva das forças de segurança e o fortalecimento das ações militares contra grupos ilegais.
Também figura entre os principais concorrentes a senadora Paloma Valencia, ligada ao ex-presidente Álvaro Uribe. A candidata defende uma política de segurança mais rígida, ampliação da presença militar em áreas dominadas por facções armadas e mudanças na estratégia adotada pelo governo atual para lidar com guerrilhas e organizações criminosas.
A segurança pública acabou se tornando o tema dominante da campanha após uma sequência de episódios violentos registrados nos últimos meses. Regiões historicamente afetadas pelo conflito armado voltaram a registrar confrontos, deslocamentos de moradores, sequestros e assassinatos atribuídos a grupos ilegais que disputam rotas do narcotráfico e territórios estratégicos.
Especialistas apontam que a eleição representa uma escolha entre dois caminhos distintos para a Colômbia. De um lado, a continuidade das negociações e reformas defendidas pelos aliados de Petro. De outro, a retomada de políticas mais duras de enfrentamento ao crime, semelhantes às adotadas durante governos conservadores anteriores.
Além da segurança, os eleitores também avaliam temas como crescimento econômico, geração de empregos, custo de vida e reformas institucionais. Ainda assim, o aumento da violência e a sensação de insegurança acabaram dominando o debate eleitoral e devem ter papel decisivo na definição do próximo presidente colombiano.
Caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta, os dois mais votados voltarão a disputar a presidência em um segundo turno marcado para 21 de junho, em uma votação que poderá redefinir os rumos políticos da Colômbia pelos próximos anos.
